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Quando começamos a projetar ou planejar uma peça, seja gráfica, uma ambientação, um desenho, analisamos tentando torná-la bela. Há muito tempo as pessoas vêm tentando explicar e definir o que é belo, porém os ideais de beleza variam de tempos em tempos, de civilização para civilização, e até mesmo de pessoa para pessoa. Por definição, algo belo é algo visualmente agradável, que traz conforto aos olhos. Sendo assim, para atingir a beleza, é necessário trabalhar a harmonia.
Quando paramos para estudar qualquer tipo de arte, percebemos facilmente as variações existentes, ao longo dos tempos e nas diferentes regiões, na forma de buscar a harmonia. Na Grécia antiga, por exemplo, existia uma forte admiração das proporções e da harmonia das formas da natureza. O povo grego, era grande observador dos astros e buscava neles explicações e inspiração para alcançar a harmonia.
A proporção áurea é uma constante matemática utilizada na arte desde a antiguidade. Por ser uma proporção encontrada em estudos de crescimento de plantas e animais- inclusive no ser humano- passou a ser reconhecida como ideal. As medidas proporcionais das formas áureas, são consideradas extremamente harmônicas e, por isso, são amplamente utilizadas por artistas e projetistas. Tendo como base a proporção áurea, Vitrúvio realizou estudos sobre a compreensão das formas da natureza e suas aplicações nos assentamentos humanos. Baseado nesses estudos, utilizando as ideias de proporção e simetria aplicadas á concepção da beleza humana, Leonardo da Vinci pintou o famoso “Homem Vitruviano”.
Com o início dos movimentos clássicos, houve uma fortificação da busca pela harmonia através do racionalismo. Medidas e proporções eram o principal foco na hora de criar algo belo. Tal pensamento foi quebrado com o surgimento dos movimentos orgânicos, que buscavam imitar as formas curvilíneas e irregulares encontradas na natureza. 
No período da industrialização a harmonia era buscada no equilíbrio entre forma e função. Nessa época o foco estava no desenvolvimento de utensílios e projetos na área do design de produto e design industrial. Os objetos considerados harmônicos eram aqueles que conseguiam exercer bem a sua função, mas sem deixar de lado sua estética. Para isso, em algumas áreas trabalhava-se a simplicidade, já em outras, os adornos eram muito utilizados. É um bom exemplo de como a beleza é algo muito variável, dependendo do gosto pessoal, do meio em que se está inserido e de qual será a utilidade do objeto.
Esses são apenas alguns exemplos para mostrar que, em diferentes momentos da história, existiram diferentes formas de pensamento e diferentes meios para alcançar a beleza. Algumas coisas se repetem em diferentes épocas, outras se renovam, são atualizadas para se adaptarem ao momento que está sendo vivido. Já outras são totalmente modificadas. Geralmente as ideias que surgem, são contrárias às anteriores, mas podem ser parecidas com outras que já existiram. Em cada época, existem princípios, crenças, modelos e padrões que influenciam na forma com a qual as pessoas vão enxergar as coisas e em como e onde vão buscar a harmonia.

A busca pela harmonia ao longo dos séculos

Função prática e função estética: Uma deve sobressair a outra?

Um grande dilema para os designers é a harmonia entre a função prática e a estética, quando e se, uma deve predominar sobre a outra. Vale a pena comprometer a usabilidade de um produto pela estética? Ou a função deve ser preservada acima de tudo? Se um produto perde sua função prática e passa a ter somente a estética, seu designer deixa de ser um designer para ser um artista exclusivamente? E se um produto mantém sua função prática, mas não possui nenhum tipo de apelo visual o designer passaria a ser um engenheiro? Essas são questões que irão variar muito de caso para caso, mas que servem para ponderarmos sobre a função do designer no mercado e, logo, na sociedade.
A função prática é aquela que relaciona o produto ao usuário em uma questão física, ela vai dar funcionalidade aquele produto, é a parte usual. Tomando o relógio como exemplo, sua função prática base é mostrar as horas, e isso independe de qualquer apelo estético. Assim como suas engrenagens não fazem parte da estética do produto, mas sim na garantia de sua funcionalidade. Já a função estética é aquela que faz apelo ao visual, ela não tem a intenção de ser usual, mas sim algo que vai ser apreciado. No mesmo relógio, ao passo que as engrenagens não fazem parte do visual, os ponteiros sim, pois estes ficam a mostra. Adornos no bracelete por exemplo não possuem função prática, são elementos estéticos para melhorar o visual do produto.
Em um relógio, essas funções já estão bem definidas, mas valeria a pena comprometer uma para elevar a outra? Se um designer altera as engrenagens de um relógio fazendo com que os ponteiros girem mais rápido, comprometendo sua função base que é mostrar as horas, mas complementando seu apelo estético, esse relógio ainda pode ser chamado de relógio? Que função ele teria além de ser admirado? Todas essas questões devem ser pensadas na hora do projeto, mas naturalmente ocorre uma tendência à uma se sobressair sobre a outra, em maior ou menor escala. E isso independe do tipo de produto, um relógio pode ter uma estética completamente simples e irá basicamente para cumprir sua função prática ou ele pode ser um objeto de luxo e beleza onde sua função prática é quase que secundária. 
Com todas essas questões, o avanço da indústria e consequente o aumento do consumo e da variedade no mercado, não é de se espantar que o designer venha ganhando cada vez mais destaque no meio profissional, pois este irá colocar na balança e tentar alcançar um resultado de melhor harmonia, não prejudicando, mas em muitas vezes até tentando melhorar a função prática e agregando a função estética para satisfazer o consumidor final. Podemos então concluir que sim, uma função sempre irá se sobressair sobre a outra e isso não é errado, é basicamente impossível balanceá-las completamente, a intensidade dessa dominância irá depender do tipo de produto e do seu preço, visto que artigos de luxo tendem a pesar mais na função estética.

 

Foi entre a transição do capitalismo comercial para o industrial que surgiu o que chamamos hoje de industrialização, que segundo Eric Hobsbawn, trata-se de um sistema de fabricação que produz em quantidades tão grandes e a um custo que vai diminuindo tão rapidamente que passa a não depender mais da demanda existente, mas gera seu próprio mercado. A Revolução Industrial teve inicio na Inglaterra por volta de 1750. Não se sabe ao certo o motivo dá precedência inglesa, tende-se a considerar que isso se deu através de uma conjunção de fatores, porém nenhum dos quais dilucida por si só a antecipação inglesa. Foi na fabricação de tecidos de algodão onde notou-se primeiro o grande aumento, de cerca de 5000%, da produção entre as décadas de 1780 e 1850. Um avanço tão extraordinário dá a entender a existência de um mercado abastadamente grande para absorver todo esse volume e um próspero retorno que explique a amplificação da oferta. Um entre tantos outros fatores importantes que definem a industrialização é a mecanização do trabalho, que com a ajuda de uma série de inovações que surgiram na época, permitiram o aumento constante da produtividade da indústria têxtil a custos cada vez mais baixos em função da celeridade da produção e da diminuição da mão-de-obra. Sabe-se, contudo, que o aumento da demanda veio bem antes da Revolução Industrial em si, pois devido a antiga fase do sistema capitalista, marcada essencialmente pelo mercantilismo, houve um grande acúmulo de riquezas líquidas que resultaram em um acréscimo correspondente no consumo. Durante os séculos 17 e 18, todos os países europeus fundaram manufaturas reais, ou da coroa, para fabricação de determinados tipos de produtos, em busca de dominar mercados estrangeiros. As primeiras manufaturas a serem centralizadas foram as de fabricação de armas e de construções navais, manufaturas pensadas essencialmente para garantir a sobrevivência do próprio estado-nação. o conjunto mais integralizado de manufaturas reais inicio-se na França sob o de Luís XIV e seu encarregado de construções Jean-Baptiste Colbert. Colbert desejava criar um pólo que centralizasse toda espécie de oficinas fabricando artigos para mobiliar os edifícios reais. E ele conseguiu, a fábrica de Gobelins, fundada em 1667, atingiu uma capacidade de produção elevados para os padrões da época. Do ponto de vista do design, uma pessoa que teve um papel muito interessante, foi o pintor Charles Le Brun, nomeado diretor da fábrica. Ele era responsável por conceber projetos para produtos gerando um desenho que servia como base para a produção de artefatos em diversos tipos de materiais pelos mestres-artesãos. Nota-se então que já havia uma divisão entre projeto e execução na fábrica de Gobelins. A ideia das manufaturas reais logo se espalharam para outros países. Um bom exemplo é a manufatura de cerâmica de Meissen na Alemanha, fundada em 1709, que assim como Gobelins também empregava artistas para projetar as peças que produzia. A partir do século 18 começaram a surgir importantes indústrias de iniciativa privada na Europa, que inicialmente tenderam a se organizar em regiões em que havia uma forte tradição de produção com algum tipo de matéria-prima. Na região de Staffordshire na Inglaterra, por exemplo, a tradicional produção de cerâmicas acabou por gerar casos muito interessantes de evolução industrial no século 18, a fábrica de Josiah Wedgwood. Wedgwood pautava-se tanto em fatores tecnológicos quanto comerciais, pensando sempre no papel do design no processo produtivo. Ele empregava profissionais autônomos para gerar as formas de suas cerâmicas. Em 1750 se tornou comum as fábricas de cerâmica empregarem indivíduos responsáveis apenas pela etapa projetual de peças que seriam produzidas seguindo um clara divisão de tarefas. Podemos perceber então, que ao longo do século 18 ocorreram importantes transformações, como o aumento da aceleração considerável da produção e a economia de tempo gasto em cada etapa, o aumento do tamanho das oficinas e fábricas que consequentemente reuniram um número maior de trabalhadores, produção mais seriada através do uso de recursos técnicos e o crescimento da divisão de tarefas voltada para funções e fases de planejamento e execução que dava ao fabricante maior controle sobre a mão-de-obra, e por último o fim da necessidade de empregar operários com alto grau de capacitação técnica.

Como a industrialização influenciou no surgimento do design

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